Transparência da ferramenta
Metodologia do simulador de indemnização
O simulador organiza os dados fornecidos pelo utilizador em categorias de dano habitualmente analisadas em acidentes de viação. O resultado é um intervalo indicativo, não uma avaliação médico-legal, uma proposta da seguradora ou uma previsão do valor que um tribunal fixaria.
Versão da metodologia: 14 de agosto de 2026 · Operador: Moreira & Barbas Lda.
Enquadramento jurídico verificado pela Dra. Anabela Ribeirinho, advogada, cédula profissional 58495P na Ordem dos Advogados.
1. Âmbito da estimativa
A ferramenta foi concebida para acidentes de viação ocorridos em Portugal com lesões corporais ou morte. Considera separadamente danos patrimoniais, danos não patrimoniais e, quando aplicável, consequências permanentes e dependência económica familiar.
2. Dados considerados
Vítima e atividade profissional
Idade, profissão, rendimento mensal, ano do acidente e impacto da lesão na atividade profissional.
Lesões e recuperação
Gravidade indicada, dias de internamento, tratamento e incapacidade temporária.
Sequelas permanentes
Percentagem ou pontos de défice funcional e impactos como mobilidade, trabalho, dor crónica, dano estético, cognição e saúde psicológica.
Situações de morte
Tempo de sobrevivência, idade, rendimento e familiares economicamente dependentes.
3. Como o intervalo é calculado
Perdas económicas
O rendimento é anualizado e usado para estimar perdas durante os dias de incapacidade. Uma projeção de perda futura só é aplicada quando os dados indicam repercussão profissional relevante ou défice funcional elevado, considerando o período de vida ativa remanescente.
Défice funcional permanente
A estimativa usa valores por ponto e escalões etários constantes das tabelas orientadoras. A idade e a percentagem indicada alteram o intervalo, mas não substituem a avaliação por perito médico.
Dor, tratamentos e impactos pessoais
São consideradas referências para quantum doloris, internamento, dano estético, repercussão laboral, assistência de terceira pessoa e impactos permanentes na qualidade de vida. Descrições livres são classificadas em categorias funcionais para evitar contar o mesmo impacto duas vezes.
Morte e apoio familiar
Nos cenários fatais, o cálculo pode incluir perda do direito à vida, sofrimento anterior à morte, danos não patrimoniais de familiares e perda de apoio económico, conforme os dados fornecidos.
4. Mapa entre dados e componentes
Esta correspondência permite perceber por que motivo cada pergunta aparece no formulário e onde pode influenciar o resultado.
| Dados introduzidos | Componente analisado | Limite da ferramenta |
|---|---|---|
| Rendimento e dias de incapacidade | Perda económica temporária | Não confirma vínculo laboral nem rendimentos não documentados. |
| Idade e défice permanente | Dano biológico e possível perda futura | A percentagem deve resultar de avaliação médico-legal. |
| Gravidade, tratamento e internamento | Dor e período de recuperação | Não substitui a escala atribuída por perito. |
| Mobilidade, estética e vida diária | Impactos permanentes não patrimoniais | Não avalia a credibilidade nem a prova do impacto descrito. |
| Morte e dependentes | Danos próprios e perda de apoio | Não determina legitimidade, culpa ou nexo causal. |
5. Fontes jurídicas e técnicas
- Decreto-Lei n.º 291/2007, na redação aplicável, sobre o seguro obrigatório e a regularização de sinistros automóvel.
- Portaria n.º 377/2008, alterada pela Portaria n.º 679/2009, com critérios orientadores para proposta razoável de indemnização do dano corporal.
- Código Civil, incluindo os princípios relativos a responsabilidade, nexo causal, reposição do dano, indemnização em dinheiro e danos não patrimoniais.
- Testes automatizados de componentes de cálculo e cenários de lesão e morte para detetar regressões no software.
A legislação e a jurisprudência podem mudar. A data do acidente e a versão da lei aplicável devem ser confirmadas num caso real.
6. Controlos aplicados ao cálculo
- Validação de intervalos plausíveis para idade, dias, rendimento e défice funcional.
- Separação entre cenários de lesões e de morte, com perguntas próprias para cada percurso.
- Discriminação dos componentes para permitir detetar duplicações ou pressupostos inesperados.
- Margens de variação em componentes que não admitem cálculo exato.
- Avisos quando o caso contém fatores que não podem ser avaliados automaticamente.
Os testes de software verificam consistência do cálculo, mas não validam os factos de um caso nem transformam a estimativa numa avaliação jurídica ou médico-legal.
7. Limitações conhecidas
- A qualidade do resultado depende da exatidão dos dados introduzidos.
- A ferramenta não lê relatórios médicos, apólices, propostas ou decisões judiciais do caso.
- Não determina responsabilidade pelo acidente nem considera todas as questões processuais, contratuais ou probatórias.
- Os intervalos incluem heurísticas e margens de variação; não são uma soma automática de direitos adquiridos.
- Casos graves, incapacidade permanente, culpa discutida ou proposta baixa exigem análise individual.
Use o resultado como ponto de partida
Guarde os pressupostos utilizados, reúna a documentação e compare cada categoria com a proposta fundamentada da seguradora.